sábado, 18 de novembro de 2017

Sleepy Sun - "Sandstorm Woman" (2010)

Great Machine & Tiny Fingers // Looking for Witches

Review: ⚡ Galactic Gulag - 'To the Stars by Hard Ways' (2017) ⚡

Da margem oposta do oceano Atlântico chega-nos um dos discos mais entusiasmantes do ano. ‘To the Stars by Hard Ways’ é o álbum de estreia do quarteto brasileiro Galactic Gulag e vem atestado de um poderoso, sublime e encantador Heavy Psych que nos dispara na vertiginosa direcção das estrelas. Lançado ontem unicamente em formato digital – mas com o real interesse da banda em procurar uma editora com vista ao lançamento do mesmo também em formato de CD e vinil – este ‘To the Stars by Hard Ways’ conquistara-me à primeira audição, provocando em mim um firme e intenso estádio de euforia e fascinação que me governara do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade viajante, expressiva e hipnotizante – conduzida tanto pela gélida e inóspita obscuridade cósmica como pela quente e acolhedora resplandecência exalada pelos astros – convida o ouvinte a uma envolvente, prazerosa, redentora e estimulante digressão consciencial pelo espaço sideral, deixando para trás o seu corpo caído, inanimado e despido de lucidez. Toda esta admirável ignição que nos lança para a medula da profundidade e intimidade cósmica é promovida e nutrida por duas guitarras portentosas que se consolidam e avolumam em intrigantes, sombrios e imponentes riffs e se esgotam em solos verdadeiramente vistosos, halucinógenos, delirantes e caóticos que nos golpeiam e embebedam de adrenalina, um baixo sólido, possante, vibrante e corpulento que se arrasta e orienta de forma enérgica, ostentosa e dominadora, e ainda uma bateria explosiva, turbulenta e inflamante que se manifesta em incríveis, atraentes, frenéticas e virtuosas acrobacias capazes de nos incendiar de um absorvente entusiasmo e colocar à prova o nosso equilíbrio mental. De destacar e elogiar ainda o requintado e copioso artwork – a fazer lembrar a distinta arte de Mœbius – superiormente pensado e ilustrado pelo artista brasileiro Will Silva que confere rosto a esta épica e inesquecível odisseia teleguiada pelos Galactic Gulag. ‘To the Stars by Hard Ways’ é um álbum autenticamente marcante – pilotado a destreza, mestria e emoção – que nos satura de arrebatamento e comoção. Vivenciem-no detidamente com total entrega e devoção.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Heron Oblivion - 'The Chapel' (2017)

Review: ⚡ Zone Six - 'Zone Six' (1998/2017) ⚡

Os já carismáticos Zone Six celebraram no passado mês de Agosto 20 anos de existência e como presente comemorativo o selo discográfico alemão Sulatron Records decidiu desenterrar do tempo e da memória o seu primeiro álbum (lançado no já distante ano de 1998 via Early Birds) e reeditando-o em CD e – pela primeira vez – em vinil (numa prensagem limitada a 500 cópias existentes). Esta renovada edição do histórico disco homónimo apresenta um formato bem distinto da versão original, contendo apenas duas longas faixas instrumentais provenientes da primeira jam session conduzida por Zone Six. Este fascinante registo passeia a nossa consciência pelos envolventes, morfínicos, hipnóticos e delirantes domínios do Space Rock, Krautrock e Psychedelic Rock, numa poderosa, arrebatadora e harmoniosa coligação temperada e irrigada por uma veia experimental que lhe confere uma vistosa dose de exotismo. A sua sonoridade etérea, viajante, lisérgica e meditativa tem a capacidade de canonizar e emancipar a nossa espiritualidade de encontro à mais secreta intimidade do Cosmos bocejante. Uma intrigante, anestésica e relaxante expedição pelos mais distantes, solitários e idosos astros que angustiam e perecem no lado esquecido do espaço sideral. São cerca de 50 minutos encobertos e obscurecidos por uma densa poeira estelar que nos abraça, intoxica e seduz. Recostem-se confortavelmente, selem as pálpebras, dilatem as narinas e recebam esta bênção astral superiormente liderada por uma guitarra mística, ecoante, gélida e narcotizante, um baixo modorrento, vigoroso, pulsante e moroso, uma bateria zen, alegre e magnetizante, e ainda um mágico sintetizador que perfuma toda a deslumbrante, religiosa e magnetizante ambiência sonora de Zone Six. Mergulhem na profundidade cósmica de ‘Zone Six’ e sintam-se tocados e acariciados por um estado edénico que vos encantará do primeiro ao último instante.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Review: ⚡ Jesus the Snake - 'Jesus the Snake' EP (2017) ⚡

Está finalmente lançado o EP de estreia da jovem formação minhota Jesus the Snake (natural da cidade de Vizela, Braga) e o resultado final não poderia ser mais arrebatador (justificando assim a paciência dos seus mais devotos e impacientes seguidores). Gravado, misturado e masterizado no interior do HertzControl Studio (localizado em Caminha, Viana do Castelo) e fundamentado numa envolvente, etérea, majestosa e deslumbrante odisseia Pink Floyd’eana que nos arremessa para as profundezas da sublimidade cósmica, este auspicioso registo homónimo presenteia e delicia o ouvinte com um primoroso, requintado, atraente e ostentoso Psych Rock brilhantemente adornado, maquilhado e orientado por um lisérgico, dançante, aromático e hipnotizante Prog Rock de raiz sessentista. A sua sonoridade intensa e admiravelmente agradável – de beleza radiosa e ofuscante – causa em nós um poderoso efeito narcotizante que nos prende e climatiza do primeiro ao último tema. Uma fascinante, luxuosa e extasiante digressão espacial pelos céus cor de noite – farolizados por astros distantes e solitários, e golpeados por gélidos e lampejantes cometas – que se renovam e desdobram pela infinidade fora. Perfumem-se nesta embriagante poeira estelar ao magnânimo som de uma guitarra profética que nos enfeitiça e estarrece com os seus harmoniosos, adoráveis, delicados e esplendorosos acordes que desaguam em solos verdadeiramente delirantes, fabulosos, refinados e cativantes, um baixo sussurrante detidamente concentrado nas suas linhas oscilantes, ritmadas e reverberantes que mareia e capitaneia toda esta extraordinária expedição pelo lado eclipsado da Lua, uma bateria contagiante – tanto pacífica e delicada como intensa e inflamante que tiquetaqueia com presença e devoção, e ainda um teclado de apaixonantes, celestiais e intrigantes bailados que nos empoeira e maravilha com a sua misticidade sideral. É-me importante ainda destacar o notável artwork de contornos faraónicos pensado e delineado pela artista portuguesa Guida Rocha. Este ‘Jesus the Snake’ é um EP inteiramente governado por uma ambiência tremendamente irresistível que nos abraça, tranquiliza e emociona ao longo dos seus 30 minutos de duração. Deixem-se enlevar ao imaculado som de Jesus the Snake e vivenciem um dos mais caprichosos EP’s nascidos em 2017.

Windhand | Desertfest Belgium 2017

✌️ Colour Haze - "Peace, Brothers & Sisters" (live 2009)

The Black Wizards - "Freaks and Geeks" @ Sabotage Club (2017)