domingo, 24 de setembro de 2017

Black Sabbath - ‘Sabotage’ Tour '76

© Chris Panatier

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Uncle Acid - "Get On Home" (2013)

Review: ⚡ Fungal Abyss - 'Bardo Abgrund Temple' (2011/2017) ⚡

A editora discográfica alemã Adansonia Records acaba de recuperar um dos mais apaixonantes, delirantes e carismáticos registos do lado mais lisérgico do Heavy Psych e presenteá-lo – pela primeira vez – com o lançamento físico em CD e vinil. Estreado e promovido no já distante ano de 2011 pela mão da editora Translinguistic Other no formato físico de cassete, este primeiro álbum ‘Bardo Abgrund Temple’ da formação sediada em Seattle (Washington, EUA) Fungal Abyss é hoje um registo de culto que continua a seduzir e conquistar um crescente número de seguidores. Baseado numa nebulosa, profunda, densa e envolvente odisseia alucinógena de onde se distingue um temulento, febril e encantado Heavy Psych de essência e ambiência estelar que nos embala, abranda e adormece numa deslumbrante, pesada e extasiante hipnose ao longo dos quase 70 minutos que colonizam este fascinante álbum de estreia, ‘Bardo Abgrund Temple’ tem a capacidade de nos desprender a consciência pelos edénicos céus da leviandade. A sua sonoridade atraente, obscura e psicotrópica tem o dom de nos absorver numa intensa narcose que nos enlameia e hiberna a alma. Recostem-se confortavelmente, respirem profundamente, cerrem as pálpebras e comunguem toda esta morfínica etnicidade ao visceral som de duas guitarras xamânicas que se manifestam em fascinantes, exuberantes e desvairados solos que uivam e ecoam por toda a infinidade do nosso Cosmos interior, um baixo sonolento de linhas oscilantes, pesadas e letárgicas que mareia todo este viscoso pântano de leviandade, uma bateria diligente de hipnótica e constante orientação rítmica que confere alguma vivacidade a todo este torpor, e ainda um sintetizador celestial que abraça e climatiza toda a alienígena atmosfera de ‘Bardo Abgrund Temple’ com a sua etérea exalação. Este é um álbum de propriedades terapêuticas que nos amortalha num sagrado misticismo. Um disco que faz germinar no fértil solo da nossa alma suculentos cogumelos mágicos e nos escancara as portas da percepção para um dos mais arrebatadores mergulhos conscienciais de sempre. Deixem-se inebriar pelas nirvânicas e magnéticas jams de Fungal Abyss e vivenciem um dos registos mais enteogénicos do género.

🏜 Coachella Valley

Nick Carlson

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

The Great Machine - Live into the Limbo (2017)

Review: ⚡ Ayermaniana - 'Flores Negras' (2017) ⚡

Da capital argentina chega-nos a exótica e primorosa fragância sonora de ‘Flores Negras’, o segundo e novo álbum do quarteto Ayermaniana. Lançado no passado mês de Junho em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp, este novo registo da formação enraizada na cidade de Buenos Aires passeia-se e envaidece-se pelos faustosos jardins do ensolarado, alegre, quente e refinado Psych Rock harmoniosamente entrelaçado num meloso, relaxante, encantador e sedoso Folk de natureza setentista que nos adorna, absorve e climatiza num sagrado, sublime e constante arrebatamento. A sua sonoridade imensamente afável, tranquila e agradável provoca no ouvinte uma edénica fascinação que o domina ao longo dos 38 minutos que povoam este caprichoso álbum. ‘Flores Negras’ é uma envolvente, prazerosa e sensacional passeata pelas zonas erógenas da nossa espiritualidade. Uma paradisíaca digressão aos virtuosos domínios do transe. Sintam-se ancorar num pleno estádio de bem-estar ao formoso e delicado som de uma guitarra garbosa que se enfatiza e regozija em doces, macios e aconchegantes acordes e vistosos, polidos e refinados solos que nos eriçam os pêlos dos braços, um baixo ondulante que mareia todo o disco com as suas linhas sombreadas, fibradas e dançantes, uma bateria do toque jazzístico de cativante orientação rítmica que – aliada a uma percussão tribalista – escolta e apimenta toda esta adorável excursão sonora, um elegante, brando e provocante saxofone de uivos exuberantes, melodiosos e serpenteante, e uma voz contida, calma e delicada que suavemente flutua pelos sete temas que integram este magnífico ‘Flores Negras’. Percam-se e encontrem-se por entre a inebriante toxicidade vaporizada pelo novo álbum de Ayermaniana e sintam-se transcender numa ataráxica ascensão de encontro à mais fértil satisfação.

🔥 Turn On, Tune In, Freak Out!

Roadburn Festival 2018

Artwork: Richey Beckett